Novo reajuste acontece após seis meses de aumento anterior. Governo diz que objetivo é atualizar as tarifas em relação à inflação. O novo pr...
Novo reajuste acontece após seis meses de aumento anterior.
Governo diz que objetivo é atualizar as tarifas em relação à inflação.
O novo presidente da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), Guilherme Campos, convocou 40 dirigentes de sindicatos e associações de funcionários para uma reunião, hoje, na qual pretende expor um retrato dramático da estatal: o rombo acumulado nos quatro primeiros meses do ano já chega a R$ 700 milhões e o dinheiro para pagar a folha salarial dura apenas até setembro. Nem o passado é certo: o prejuízo de R$ 2,1 bilhões de 2015, que constitui um recorde histórico, ainda pode mudar porque há três versões diferentes para o tamanho do aporte realizado no plano de saúde dos empregados. Mesmo antes da publicação do balanço, Campos tem um desafio para enfrentar no futuro imediato: a data¬base dos 117 mil funcionários é em agosto e a ECT se vê frequentemente pressionada por ameaças de greves. A postura adotada é de ouvir os representantes sindicais na tentativa de encontrar soluções, mas o novo dirigente prevê dificuldades na concessão de aumentos salariais. "Friamente, pelos números, o recomendável seria até reajuste zero. Mas isso seria muito forte", reconhece o ex¬deputado federal (PSD-SP), que foi confirmado no cargo na semana passada.
Diante de uma situação pré-falimentar, os Correios já encaminharam ao Ministério da Fazenda um pedido de recomposição das tarifas postais. O pleito envolve uma alta em torno de 10%. O potencial é de elevar as receitas em R$ 300 milhões, uma cifra incapaz de resolver o drama. Para tapar o buraco mais urgente, Campos lista três alternativas possíveis: uma capitalização do Tesouro Nacional, a contratação de empréstimos bancários e a venda de ativos. De 2011 a 2015, segundo ele, a ECT repassou em dividendos ao Tesouro pelo menos R$ 8 bilhões acima do mínimo legal. A equipe econômica também se apropriou do pagamento de R$ 2,3 bilhões feito aos Correios pelo Banco do Brasil, que fechou parceria em torno do Banco Postal para explorar serviços bancários em sua vasta rede de agências no interior do país. Mesmo com esse histórico, o novo presidente vê um aporte nos Correios como improvável. "A minha expectativa é baixa", afirma Campos, lembrando a situação fiscal. Por isso, ele cogita o financiamento bancário como potencialmente viável, entregando recebíveis da ECT como garantia. Ainda não há negociação em curso. Outra possibilidade, a venda de ativos poderia incluir até mesmo o edifício-sede da estatal, localizado no centro de Brasília, exemplifica. A abertura de capital ou a eventual privatização da empresa é algo que Campos trata com cautela. "Só uma pessoa pode responder a essa pergunta: o presidente Michel Temer", diz. "Meu papel é tocar a gestão independentemente disso." Marcando uma diferença e relação à gestão anterior, que havia determinado o fechamento de unidades deficitárias aos sábados e analisava a fusão de agências, Campos promete manter toda a rede da estatal. Na primeira semana no cargo, o receio de fechamento de agências por causa da crise financeira nos Correios gerou uma pressão de parlamentares da região Norte, que queriam ouvi-lo em audiência na Câmara. "Em muitas localidades, somos a única presença do Estado. Marechal Rondon reviraria no túmulo se escutasse isso." A ocupação política da ECT tem ocorrido em várias frentes e ganhou contornos insólitos na curta gestão do ex¬deputado Giovanni Queiroz (PDT), que ficou seis meses e saiu com o afastamento da presidente Dilma Rousseff. Em representação ao Ministério Público Federal, servidores dos Correios entregaram lista com 124 indicados políticos na Postal Saúde, criada em 2013 para gerenciar o convênio médico dos empregados. Muitos entraram no lugar de técnicos demitidos sumariamente. Um dos casos mais rumorosos envolvia a demissão de um funcionário com mais de 25 anos de experiência na área de saúde para ceder espaço à companheira do cantor Netinho de Paula, vereador pelo PDT em São Paulo. Estudante e sambista, segundo o documento, ela foi admitida com salário de R$ 4,4 mil. "Aí já é overdose", afirma o ex¬deputado. Temer tenta marcar sua gestão com a aprovação da Lei de Responsabilidade das Estatais, para reduzir a influência política. Além das decisões mais emergenciais, Campos afirma que a empresa perdeu em investimento tecnológico e precisa abrir novos campos de mercado - 60% da receita ainda está vinculada a correspondências, como a entrega de contas. As ideias iniciais são fortalecer as relações com o governo, tornando-se o principal fornecedor logístico dos ministérios e o responsável por guardar documentos de Estado.
Diante de uma situação pré-falimentar, os Correios já encaminharam ao Ministério da Fazenda um pedido de recomposição das tarifas postais. O pleito envolve uma alta em torno de 10%. O potencial é de elevar as receitas em R$ 300 milhões, uma cifra incapaz de resolver o drama. Para tapar o buraco mais urgente, Campos lista três alternativas possíveis: uma capitalização do Tesouro Nacional, a contratação de empréstimos bancários e a venda de ativos. De 2011 a 2015, segundo ele, a ECT repassou em dividendos ao Tesouro pelo menos R$ 8 bilhões acima do mínimo legal. A equipe econômica também se apropriou do pagamento de R$ 2,3 bilhões feito aos Correios pelo Banco do Brasil, que fechou parceria em torno do Banco Postal para explorar serviços bancários em sua vasta rede de agências no interior do país. Mesmo com esse histórico, o novo presidente vê um aporte nos Correios como improvável. "A minha expectativa é baixa", afirma Campos, lembrando a situação fiscal. Por isso, ele cogita o financiamento bancário como potencialmente viável, entregando recebíveis da ECT como garantia. Ainda não há negociação em curso. Outra possibilidade, a venda de ativos poderia incluir até mesmo o edifício-sede da estatal, localizado no centro de Brasília, exemplifica. A abertura de capital ou a eventual privatização da empresa é algo que Campos trata com cautela. "Só uma pessoa pode responder a essa pergunta: o presidente Michel Temer", diz. "Meu papel é tocar a gestão independentemente disso." Marcando uma diferença e relação à gestão anterior, que havia determinado o fechamento de unidades deficitárias aos sábados e analisava a fusão de agências, Campos promete manter toda a rede da estatal. Na primeira semana no cargo, o receio de fechamento de agências por causa da crise financeira nos Correios gerou uma pressão de parlamentares da região Norte, que queriam ouvi-lo em audiência na Câmara. "Em muitas localidades, somos a única presença do Estado. Marechal Rondon reviraria no túmulo se escutasse isso." A ocupação política da ECT tem ocorrido em várias frentes e ganhou contornos insólitos na curta gestão do ex¬deputado Giovanni Queiroz (PDT), que ficou seis meses e saiu com o afastamento da presidente Dilma Rousseff. Em representação ao Ministério Público Federal, servidores dos Correios entregaram lista com 124 indicados políticos na Postal Saúde, criada em 2013 para gerenciar o convênio médico dos empregados. Muitos entraram no lugar de técnicos demitidos sumariamente. Um dos casos mais rumorosos envolvia a demissão de um funcionário com mais de 25 anos de experiência na área de saúde para ceder espaço à companheira do cantor Netinho de Paula, vereador pelo PDT em São Paulo. Estudante e sambista, segundo o documento, ela foi admitida com salário de R$ 4,4 mil. "Aí já é overdose", afirma o ex¬deputado. Temer tenta marcar sua gestão com a aprovação da Lei de Responsabilidade das Estatais, para reduzir a influência política. Além das decisões mais emergenciais, Campos afirma que a empresa perdeu em investimento tecnológico e precisa abrir novos campos de mercado - 60% da receita ainda está vinculada a correspondências, como a entrega de contas. As ideias iniciais são fortalecer as relações com o governo, tornando-se o principal fornecedor logístico dos ministérios e o responsável por guardar documentos de Estado.

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